sexta-feira, 13 de abril de 2012

Acidente em Interlagos chama atenção para segurança na pista


Estive em Interlagos no domingo, dia 8, mas não presenciei o gravíssimo acidente que ocorreu na segunda bateria da categoria Marcas e Pilotos. Nos vídeos abaixo os senhores poderão avaliar a gravidade do acidente que levou um piloto à mesa de cirurgia para o implante de oito parafusos para sustentação da coluna - felizmente o piloto vai voltar a andar - e um outro que machucou seriamente a clavícula. Um saldo até pequeno, considerada a violência dos impactos.



Corridas de automóveis sempre foram perigosas. Não vamos compará-las ao quase suicídio coletivo que eram as corridas de estradas e ruas dos anos 50 e 60. Mas, apesar do estratosférico avanço tecnológico dos carros, do imenso incremento da segurança nos autódromos, da profissionalização das equipes de resgate e médica, as corridas continuam matando, ferindo e aleijando, para sermos bem diretos.

Correr no limite do automóvel, disputando roda a roda, freada a freada com seus concorrentes, testar suas habilidades ao extremo fazem parte da mágica do automobilismo. O perigo também, que ronda a cada volta e a cada curva. Por outro lado o circuito de Interlagos, por sediar o GP Brasil de Fórmula 1 e ser um dos mais seguros do mundo, além da sua legendária história, parece despertar nos pilotos um senso de imortalidade que não corresponde à realidade.



Daí para os exageros desnecessários não vai muito. Independentemnete da categoria em disputa - cada uma com suas características e particularidades, é claro - o que se vê é um excesso de autoconfiança e agressividade ao volante em alguns pilotos que beira a insanidade. Não é preciso contabilizar muito para sabermos que nos últimos dois anos tivemos duas mortes em Interlagos, além de gravíssimos acidentes que poderiam ter aumentado em muito esta macabra estatística.

Como diretor esportivo da Formula Vee - e com o aumento do nosso grid e, consequentemente das disputas que vão baixando paulatinamente o tempo de volta - alguns comportamentos na pista tem me chamado a atenção e aumentado minha preocupação. Não vou acusar aqui ninguém, não é o caso. Mesmo por que o herói de hoje pode se tornar o vilão de amanhã.



Por outro lado, sabemos o que é competição e o que ocorre quando se baixa a bandeira quadriculada. Não estamos lidando com freirinhas de capacete dentro do cockpit. Todos querem ganhar ou melhorar de posição durante uma corrida. A maneira que se faz é que mostra a diferença entre os que sabem efetivamente pilotar e os que colocam a integridade física dos outros em risco.

Temos observado com preocupação a frequencia de toques e encaixe perigoso de rodas, espremidas, totós na traseira, etc. Se são propositais ou não, pouco interessa. Caso alguém se machucar seriamente, é secundário saber da intencionalidade ou não. Temos insistido na observancia da segurança nas últimas etapas. Temos conversado em particular com alguns pilotos cuja agressividade começa a preocupar em geral na categoria.

Argumentos do tipo "piloto quando bota o capacete perde o juizo" não nos convencem. Quem tiver problemas mentais ou de autoafirmação que vá procurar ajuda especializada. Não a bordo de um carro de corrida. Enfim, que os vídeos acima sirvam de exemplo e reflexão para todos, Afinal, é a vida de vocês que está em jogo.

Já pensaram uma panca dessas num Formula Vee ? Não quero nem imaginar, estaríamos agora chorando a morte de alguns companheiros. Enfim, a decisão é de vocês que estão dentro da pista. A nós cabe alertar e tentar evitar o pior. Ou lamentar depois a tragédia. Vocês escolhem.


6 comentários:

regi nat rock disse...

realmente está começando a incomodar. não tenho comparecido nos eventos mas assisto todos os videos postados e pelo andar da carruagem, alguém ser catapultado num encaixe de rodas está perto de acontecer. Sem contar os coments de alguns, reclamando sem citar ninguém do comportamento roller ball .
Desopilar o figado pode ser feito de outro jeito né moçada?

concordo com todo o texto, JOca.

Mestre Joca disse...

Aviso aos navegantes: não vou ficar de braços cruzados esperando o "big one", o grande acidente que vai colocar em cheque todo o trabalho que vimos desenvolvendo na Formula Vee nos dis últimos anos.

Não será a irresponsabilidade, a insanidade ou descaso de um piloto que vai jogar por terra todo nosso projeto. Pessoalmente recomendei o maior rigor possível aos comissários desportivos da FASP quanto á condução perigosa e comportamento na pista.

Drive thru, penalizações no acréscimo de tempo, etc, suspensões, serão distribuidos com maior rigor.Nisso estou empenhado pessoalmente, "duela a quién duela", como dizia o ex-presidnete Collor.

Claudio Ceregatti disse...

Amigo Joaquim:
Faz séculos que não escrevo, por um monte de motivos.
Leio sempre, não falto.
Mas essa série de vídeos me faz despejar no teclado de novo.
Estou pasmo.
E meu estomago revira até agora.
Erraste o número de mortes, em verdade são 4.
Dois da Stock, um de moto e um velho amigo - Paulo Kunze - exatamente nesse lugar.
E mais ou menos do mesmo jeito: Alguém lá na frente se enrosca, o povo do meio do grid para trás vem de pé cravado e sem visão, os da frente desviam e o infeliz dá no meio de alguem.
É pra morrer, não tem jeito.
As imagens falam por si só - assim como as imagens on board que tenho visto dos amigos da Formula Vee.
Ainda não tivemos - para a felicidade geral de todos - o nosso "Big One". Mas quando houver (e do jeito que andam se esfregando haverá mesmo, não demora), lamentaremos ferimentos sérios, quiçá definitivos, talvez irreversíveis.
Essa panca foi em um carro de rua, desenvolvido com áreas de absorção, passou por crash-test, e ainda adiciona-se o "bendito" santantonio dentro das normas da FIA.
Ainda assim quando bate forte machuca muito.
Pois imaginemos panca similar com os Formula Vee.
Por mais bem construído e resistente que seja o chassis, não há área de absorção. Os tubos são colados ao piloto - e nem há como não ser, formula tubular é assim mesmo.
Panca igual, mataria.
Já tivemos dois incidentes leves, um com a Aline e outro com o Chamma.
E ambos se machucaram na mão apenas e tão somente por não terem tirado as tais do volante. Esses mesmos volante que o que tem de bonitinho tem de ordinário. Verdadeiro convite ao pronto-socorro.
Só pilotão profissinal tem esse reflexo, tirar fora as mãos.
Os de fim-de-semana naturalmente não.
Sabemos que corrida de carro dói, mas é gostoso. Somos todos meio masoquistas.
Pergunto aos amigos que disputam o grid: O que estão fazendo lá?
Num lugar duro, apertado, quente, desconfortável, barulhento, caro e e perigoso?
Respondo: Para serem felizes dentro do capacete. Nada mais, é sempre esse o objetivo.
Disputar posições sem a faca nos dentes é quase impossível, bem sabemos.
Mas a permanecer esses toques, esses encaixes, essas escorregadas, alguem em breve vai conhecer o lado de lá do guard-rail.
Vai decolar e pousar meia dúzia de capotões depois, estropiado e seriamente ferido.
Pretendo voltar a correr de Vee em breve, todos sabem.
Mas, com toda a franqueza que tenho, depois dessas imagens e as da F Vee que assisto, passei a ter medo.
Medo, medo, medo, medo, medo.
Cagaço de me machucar, panico de enterrar meu sonho num monte de ferros retorcidos.
Posso ser morte de graça, pelo erro de um outro.
Posso detonar o que me resta de vida apenas porque amo muito tudo isso, até mesmo por um erro meu.
Estou reconsiderando e repensando esse meu ímpeto de voltar.
Não pretendo virar estatística, ou por abaixo uma categoria maravilhosa que só cresce.
Peço a todos que assistam essas imagens muita vezes, e sempre as tenham em mente na hora de largar, de classificar, de sentar na barata.
Não é o autódromo, nem os carros.
São os homens que sonham ser pilotos. Toda a culpa é de quem está sentado.
Peço que ponham a cabeça no lugar, esperem os melhores momentos para ultrapassar, não tentem ganhar a prova na primeira volta, respeitem o semelhante apaixonado a seu lado.
Nem levem a tal da faca, pra não colocar entre os dentes.
Declaro aqui, pra quem quiser ouvir, que um dos maiores apaixonados por corrida de carro está se cagando de medo.
Não desejo morrer lá, não quero enterrar ninguem, e muito menos transformar minha paixão em assassinato.
Repensem, pelo amor de Deus.

Lucca Paulinelli disse...

O problema da F-vee é q se tomar uma lateral, já era. Se tiver a roda de um na frente da roda do outro e encostar, um vai sair voando... Graças a Deus ainda não teve nada disso, mas peço q olhem um pouco mais no retrovisor. Minha disputa com o Glaucio foi excelente, ele olha no retrovisor, da espaço, etc. Mas tem gente q olha muito só para frente. Tomei 3 fechadas no fim de semana passado. 2 delas tive q beliscar o freio pra não bater. Não custa nada olhar o retrovisor nas retas, nas freiadas, antes de tomar sua tangecia, para saber aonde os outros estão. É só por no youtube para ver como é facil sair um voando. Tem vídeos de F-vee extrangeira, F-Ford, etc... Vamos olhar mais para trás e pros lados q não tem erro, só errando muito uma freiada para acertar alguem. Vida longa a F-vee! Abs amigos. PS: e a FASP tem q melhorar na agilidade para atender os pilotos após um acidente, não?

Marcelo Chamma disse...

amigos da Vee e da Classic.
E frustrante esperar tanto tempo para andar em Interlagos, apos alimentar durante muitos anos o sonho de pilotar.Um dia, voce acha que chegou a hora, ja acertou sua vida, a familia passou a compreender que sonho e sonho, voce tem grana , toma coragem e la vai.
Primeiro treino, sozinho, tudo e lindo, apaixonante, entra em extase.
a primeira largada, e toma um toco
Corrida e assim mesmo, vai para casa feliz
esconde da esposa o tamanho toco que levou porque senao vai ficar ouvindo o que sempre ouviu, que correr e muito perigoso.
Segunda prova, agora vou chegar
Na descida do lago, recebe um "cerca frango" do carro ao lado.
Voce tira o pe, fica atras e quando consegue, passa e vai embora.
chega em casa, sozinho na seu canto predileto, reflete se aquele sonho esta se realizando ou era uma ilusao
Conclui que o sonho e possivel mas tem um outro de capacete que esta transformando seu sonho em pesadelo
Desistir ou impedir que estraguem sua diversao.
Este esta sendo o pensamento comum dos " gentleman drivers", cujos nomes estao apresentados na lista de participantes.
Sou favoravel a eliminar quem poe o colega de pista em perigo, trocando uma vida por um trofeu de oitenta reais , recebido sem plateia.
A vida pode ser colocado em risco, esta e sua opcao.Mas arrisque a sua, nao use a minha para ganhar seu trofeu de oitenta reais!


Existe uma razao para

sergio luis disse...

Poucos que lerão esse texto, participam do briefing com a direção de provas. Mas esses poucos sabem que toda vez que subo a torre, sempre faço questão de frisar que os carros são de rodas expostas. Não adianta o piloto começar a colocar o bico do carro achando que o outro vai tirar o carro da frente. Lucca, voce chegou a tocar na roda dianteira do carro do Glaucio. Vou começar a dar nome aos bois, senão de nada adianta. Sempre falo que quem colocar o bico de uma forma que possa ver na lateral, terá a minha posição conquistada sem o menor problema. Infelizmente não é o que está ocorrendo na pista. Existem "pegas" até durante os treinos livres. Acho que deve haver um maior rigor ainda, para que não choremos depois... em breve postarei uma matéria no meu blog que eu sinceramente espero que choque voces.